segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Nasceu o audioFARM Electronics A312!

Sexta-feira... Eu confesso. Estava nervoso. Na noite anterior o Sasandro e o Nando Pontin haviam me mandado um e-mail com a frase "Só respira...". Eu sabia do que se tratava... Eram as fotos do primeiro protótipo da audioFARM Electronics, o A312... E as primeiras impressões... Nossa. Dormi torto. Na sexta chegava o Sandro com o brinquedo na mão. Era um som-nho se realizando! =)
Pequeno adendo aqui, para que entendam um pouco da história dessa unidade preciso fazer um breve relato. Putz, como que vou resumir ou explicar? Por muitos anos os pré das mesas API do meio/final dos anos 70, os módulos 312 em especial, foram chamados de "os prés do rock" e se tornaram o ponto de referência para o que é até hoje o som e a marca registrada da API. Estes módulos... Nunca mais foram fabricados como os originais, por N motivos... Alguns engenheiros nos EUA porém, assim como eu e muitos outros, queriam e queriam muito aquele som. Longa pesquisa e muitas, mas muitas semanas depois e acabo caindo na caixa de e-mail do Ed Anderson, engenheiro original do projeto, que à mão enrolou o que é o mais próximo de encontrar dos trafos usados nas unidades originais, mais originais que os próprios novos API! =) Para os que conhecem, o coração do som das unidades API da década de 70 é dependente muito do op-amp instalado no circuito, neste caso, o nosso usa o footprint original 2520. Uma coisa muito importante de falar sobre essas unidades é a capacidade de amar/odiar o botão que ajudou a tornar clássica essas unidades... O pad de -20db. Ele funciona de forma à permitir que os trafos sejam "fritados" adicionando ainda mais harmônicos, compressão e saturação à fonte sonora com uma série de coisas não-lineares muito legais... Ou não... Por isso a relação de amor e ódio... Bem, os demais detalhes técnicos eu deixo para quando a unidade estiver 100% pronta e lançada com os textos oficiais e tal...

Bóra começar os testes! Concorrentes? audioFARM Electronics A312, Avalon VT737sp, Universal Audio LA610, Neve Amek Purepath CIB e Focusrite/Digidesign Control 24.

Teste número 1: Voz captada com o Manley Reference Cardiod.
Resultado: Hmmm. A coisa foi meio que unânime. Para a voz do Capanga, vulgo Eduardo Sarrafo, o Neve foi melhor em todos os aspectos. O A312 na configuração mais clean (com pouco drive nos trafos) apresentou agressividade e uma qualidade aberta e "na cara", características bem parecidas com o UA LA610. Com o pad acionado e o ganho elevado nossa... Era outro cara, ainda mais agressivo e "na cara", obviamente uma bela pedida pra vocais "do mal" e mais saturadões que tem que competir com mixes muito densas e busy.
Quais compraria? Nesse caso, compraria 1º o Neve, em 2º o Avalon e em 3º o LA610.


Teste número 2: Guitarra limpa captada com o Cascade Gomez. Amplificador: Serrano Amps Classman 25 EL34 Custom Head.
Resultado: Caralho! Por muito tempo o combo Gomez+LA610 era meu go-to input signal chain para guitarra... Credo, isso acabou de forma assustadora! De forma que o LA610 teve que fazer um esforço e utilizar recursos extra pré-amp para competir. Não me entendam mal, eu amo o som do LA610, vou continuar usando-o em muitas situações obviamente. Uma das vantagens do LA610 é que ele não deturpa a fase tanto quanto o A312, principalmente quando o A312 está com o pad acionado, mas é uma situação de testar pois as vantagens são assombrosas!
Quais compraria? Bah, em 1º o A312, em 2º o LA610 e em 3º o Avalon.

Teste número 3: Guitarra BEM crunch captada com o Cascade Gomez. Amplificador: Serrano Amps Classman 25 EL34 Custom Head.
Resultado: Cruz credo... Aqui a coisa foi ainda mais assustadora! A característica agressiva e up-front do A312 é assombrosa! Só pode ser por isso que ele recebeu o título de o "pré do rock"! Quando acionado o pad então... Putz, com o trafo fritando, uma compressão mágica ocorrendo, uma saturação linda pintando...
Quais compraria? Em 1º o A312 sem um grão de pó de dúvida, em 2º o LA610 e em 3º o Avalon.

Teste número 4: Caixa de bateria captada com um Shure SM57.
Resultado: Aqui a agressividade natural do A312 limitou muito a aplicação do mesmo à poucas situações, enquanto o LA610 foi o predileto por manter os transientes intactos enquanto ainda adicionava bastante mojo ao som. O Neve ficou bem legal, assim como o Avalon.

Quais compraria? Em 1º o LA610, em 2º o Avalon e em 3º o Neve. Adendo, adoraria gravar um som bem sujão a lá Ladros, no qual usei muita saturação na caixa, diretamente no A312.

Teste número 5: Bumbo de bateria captado com um AKG D112.
Resultado: Nossa mãe! Se tu quer um bumbão absurdamente explosivo, daqueles que atravessa o que quer que esteja na frente dele, a patada do A312 com o pad acionado é de derrubar parede! A compressão que ele aplica quando faz isso é mágica e de cara me fez pensar... Heavy metal, bei... É nesse cara sem dúvida! Mas no geral... O LA610 continua imbatível, tanto em configurações mais leves quanto mais pesadas. O A312 na configuração "clean" ficou mais transparente mais ainda assim não pode bater o LA610 nem o Neve. O Avalon ficou bem legal também porém meio que "sem graça".

Quais compraria? Em 1º lugar, sem dúvida o LA610, em 2º o Neve e em 3º o Avalon.

Teste número 6: Tom e surdo de bateria captados com um Sennheiser MD421II.
Resultado: Já tinham me dito que muitos dos sons clássicos de bateria que eu tinha ouvido vinham dos API 312 e o A312 mostrou que isso era real... A textura dos médio graves dele é muito firme e presente e a característica na cara e naturalmente comprimida, de cara já fazem do A312 uma bela opção para uma enormidade de situações, de novo, quando se precisa de definição, foco e presença, ele é o cara. Os demais ficaram muito legais com o Avalon se mostrando muito equilibrado e o Neve o mais gravão porém menos definido.

Quais compraria? Para esta situação, em 1º, não serei hipócrita pois o A312 tem tamanha personalidade musical que qualquer coisa que atravesse seu circuito leva um pedaço do seu som no DNA... E isso nem sempre é bom, de forma que eu ficaria com o Neve. Em 2º lugar sim eu pegaria o A312 e em 3º o Avalon.

Teste número 7: Overhead captando pratos de bateria simulando um dos lados de uma montagem X/Y. Microfone usado: Shure KSM109.
Resultado: Uia! Quero ver se essa compressão não vai trazer "outras coisas" em demasia, mas se não trouxer, para a grande maioria, de novo, dos trabalhos rock 'n' roll, esse é o pré para overs... Compressão mágica FTW! O Avalon manteve os transientes lindos e claros, assim como o LA610. Embora o Avalon tenha soado "mais transparente" e macio, LA610 foi mais meu gosto pessoal.

Quais compraria? De novo, não serei hipócrita, em 1º eu optaria pelo Avalon, em 2º o LA610 e em 3º o A312.

Resumo: Cor. O A312 é cor. Transparência não é com ele, ele é um pré-amp de personalidade forte, muito forte! Essa personalidade é extremamente agressiva e NA CARA. Se eu tivesse que ir para uma ilha deserta não seria ele que eu levaria comigo, mas se tu procura um mojo especial, o som clássico dos consoles API do final da década de 70 ou se teu negócio é o bom e velho rock 'n' roll, bem, então sim, tu ia querer levar esse (ou o LA610) pra uma ilha deserta. =)

Muito feliz, finalizamos os testes e ficamos discutindo por horas a fio! Que venha o Pultec! \o/
Forte abraço!
Life's too short for bad tones!





2 comentários:

W37 disse...

O Cascade soa familiar. Como tu conseguiu uma dessas raridades? ;)

Amostras de diferentes prés e microfones - em alta qualidade - serão muito bem-vindas e compartilhadas!

Grande abraço.

Mateus Borges disse...

Hehe, pois é, foi um tal de Nei que trouxe pra mim =P

Quanto às amostras, deixa eu parar por 1 hora que dou um jeito de extraí-las e te mando!

Abz