domingo, 30 de janeiro de 2011

Baterias em alta voltagem!

EXATAMENTE a um ano atrás eu me reunia com os guris da Overvolt aqui no rancho, confiram o último post da banda... Por trás dos panos muito aconteceu é claro, mas mesmo assim, fazia um ano. Mas enfim, enfim cabou-se as pré-produções e agora a coisa vai!

Sábado, 10 horas da matina e eu pontualmente abria as porteiras do rancho para receber o Lucas Farias, que mais tarde se juntaria ao resto da trupe, Eduardo Rimoli, Celso Zanini, Glauco Guimarães e Guilherme Paranhos.

Missão? Captar as baterias para o disco. E foi um trabalho delicado, cansativo, longo e muito interessante e divertido. A palavra aqui é sonzeira! Escolhi a sala Maragato. Na noite anterior voltei a analisar os temas, um a um, para re-organizar as idéias, trabalhar na conceitualização e texturização da coisa toda, enfim, preparar o plano. Ao finalizar, percebi que seria uma empreitada longa e complicada, eu queria extrair a sonoridade adequada à cada um dos temas. Então começamos.
Posicionamos o kit. Conforme meu check-list fomos seguindo uma ordem pré-determinada de canções e conforme elas iam vindo alterávamos o setup, crashes, splashes, hi-hat, ride, caixa, estilo de microfonação da caixa, signal chain de captação da caixa, estilo de microfonação de bumbo, pele de bumbo, quando usamos, damping de bumbo, signal chain de captação de bumbo, pele dos tambores, damping dos tambores, microfones de overhead, signal chain do meu "destroyed room mic"... Enfim, muita coisa mudava de música à música, de forma que tentar lembrar o que ia em que é impossível, embora algumas coisas permaneceram iguais, e foram elas os Sennheiser MD421II nos tambores enviando aos Focusrite ISA428 e os microfones de ambiência (room mics), Shure KSM44, enviando também aos pré-amplificadores Focusrite ISA428 com um par de Universal Audio 1176 "insertados" nos canais. Mas foi só, o resto mudava constantemente. O legal foi que pude desenvolver melhor a técnica do "destroyed room mic" como eu havia prometido, e fiz descobertas muito legais! A primeira é que o Rode K2 faz um trabalho diferente do Shure SM58 nessa situação, nem melhor, nem pior, apenas diferente. O mesmo digo dos prés Digidesign/Focusrite Control 24, Universal Audio LA610, Avalon VT737sp e Neve Amek Purepath CIB nesta função... Ok, ok, vocês vão perguntar "pô, mas assim tu não contou nada!", então eu conto. Para o meu gosto, e da forma como eu penso que é seria bacana a utilização dessa técnica, é necessário um compressor muito rápido, de forma a domar até o mais rápido dos transientes, de forma que o Amek Purepath se portou muito bem, no modo "& much more" e com os controles atuando o mais rápido possível, ficou muito bacana. Acho que um microfone como o SM58 aqui teria ficado lindo! O Universal Audio LA610 foi muito bem, muito bonito mesmo, com um punch absurdo e uma qualidade up-front muito legal, mas lento demais para sozinho cumprir a tarefa. Aqui o válvulado K2 e seu diafragma largo casaram legais, senão os transientes mais rápidos... O mesmo ocorreu com o Avalon, que foi para mim, o mais bacana de todos! O opto-compressor lento do Avalon em seu setup extremo, aliado ao alto poder de fogo das válvulas de todos seus estágios, aliado ao válvulado K2 e a musicalidade (e versatilidade) do EQ do Avalon, criaram uma qualidade granulada e pulsante muito, mas muito bacana para meu gosto!!! Senão... Os malditos transientes... Ou seja, para ficar realmente legal seria necessário mais um compressor rápido suficiente, estilo 1176, para dar conta do recado. Aaa, o DBX 160A também não foi bem sucedido nessa empreitada.
Resumindo toda a experiência até aqui, lembrando que comecei durante as gravinas da Vera Loca. Melhores combos até então, Shure SM58 + Neve Amek Purepath CIB e Rode K2 + Avalon VT737sp + algum compressor bem rápido.
Outra coisa que voltei a fazer foi captar a caixa com a técnica de captação do ventil utilizando um Shure SM57.

Bem, nesse troca-troca maluco, foram-se praticamente 14 horas de trabalho e lá pela meia-noite encerrávamos a sessão. E acreditem, a coisa foi rápida. Só não falhamos e nem demoramos mais porque o Lucas matou a pau e com uma puta pegada detonou as trilhas com ótimos takes! Hora de dormir pois na domingueira iniciaríamos às 10 da matina e teríamos somente até as 14 horas para terminar todo o restante, uns 40%...

Forte abraço!
Life's too short for bad tones!







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