quinta-feira, 8 de abril de 2010

Carteliando guitarras parte 5.

Azaaaah! Tâmo de vórta!
É, hoje também foi dia de voltar a receber o Nando Rosa para darmos continuidade às sessões de captação de suas trilhas de guitarra para o Cartel da Cevada. Confesso que já estava com saudades hehe. Pois bem, o Nando veio direto do trampo para o rancho e abri as porteiras para ele eram em torno de 20:30, logo, precisávamos correr. Botamos o papo em dia rapidamente, ligamos os notebooks, pegamos a papelada... Olho nas anotações, audição no material e bora! Comecei acertando o setup, e agora era a vez do Serrano Amps Classman 25 EL34 Custom Head, porém dessa vez com 12AX7 no 1º estágio, ECC802 no 2º estágio e 6L6GC no poweramp. Para as trilhas de hoje, ainda separamos dois pedais Boss, o Super Overdrive e o DS-2. Mais uma vez optei pela sala Maragato e ajustei a ambiência, com os biombos e placas móveis, até obter uma sala não muito densa, neutra, soando como que flat, e com RT60 também não muito longo. Busquei a caixa Serrano Amps 2x12" Jensen C12N. Peguei o Cascade Gomez, meu Shure SM57 Transformerless, modificado por mim mesmo, e o Rode K2. O sinal do Gomez, posicionado em um dos falantes e totalmente no eixo, mandei para o Universal Audio LA610. Vou aproveitar e aprofundar mais no uso desse carinha que cada vez tem me surpreendido mais... Por ser um microfone tipo ribbon, o Gomez possui o padrão polar fixado, um simétrico figura de 8, e por isso, é necessário um pouco mais de cuidado e atenção aos ajustes para que se obtenha a relação fonte sonora/ambiência adequadas, principalmente quando estamos utilizando ambiências mais densas ou longas. Enfim, após ajustado o nível de saída do amplificador, o posicionamento da cápsula e a resposta da sala, lá estava, um som pronto, redondo, natural, absurdamente orgânico e com seu "reverb" já embutido! =)
Posicionei o SM57 no outro falante no tradicional posicionamento off-axis e enviando o sinal ao Neve Amek Purepath CIB. Neste cara eu procurava uma sonoridade com muito foco, bem moderna ainda que não plástica, algo bem natural, por isso optei pelo meu SM57 modificado, para fugir daquela textura hyped up do SM57 tradicional. Pedi ao Nando que tocasse um pouco e fiquei procurando um ponto na sala onde o som estive perfeito, para tanto, tive de elevar o posicionamento da caixa e quando enfim achei, posicionei o Rode K2 em padrão 85% omni exatamente naquele ponto. Enviei seu sinal ao Avalon VT737sp e daí sim começava a parte divertida. Para os que vêm acompanhando, os microfones de ambiência para o trabalho serão de suma importância e como a ambiência é parte fundamental das texturas que estamos criando aqui, faço mais um breve aprofundamento do causo. Imaginem que este room mic, é o "reverb" da trilha, e, desta forma eu tenho ligado ao meu "reverb" um compressor e um equalizador (Avalon VT737sp), logo, eu posso por exemplo, aumentar ou diminuir sensivelmente a sensação de densidade do "reverb" (tamanho da sala) e/ou aumentar ou diminuir mais sutilmente a sensação de duração do "reverb" (RT60) com ajustes de compressão. Ao mesmo tempo, eu posso buscar uma característica mais "bright", como um tiled-room ou até mesmo um gold plate, uma característica mais "dark", como um wooden room ou small chamber, somente com ajustes de equalização, por esse motivo, é muito importante acertar a ambiência da sala, para que ela possa te fornecer todas essas opções, pois volto à repetir, não pretendo utilizar nenhum tipo de ambiência artificial no trabalho, e devo assumir que é muito mais divertido e gostoso ouvir as coisas assim! =)
De volta ao trabalho. "Senta a mão aí Nando!" E lá pela meia-noite, encerrávamos a sessão. Mais Cartel e Nando no sábadão!



Forte abraço!
Life's too short for bad tones!

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