quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Auto-entrevista: A Cura.


Editorial:
"...Muitas vezes é difícil conseguir tratar de assuntos como produção musical, mixagem e masterização. Não que o blog não tenha espaço para tanto, muito pelo contrário, mas apenas que é difícil "fotar" e tratar do assunto. Quando conseguimos, mostrar os pontos interessantes é ainda mais difícil, visto que somente quem esteve por dentro dos detalhes dos projetos poderia saber tais minúcias...

E é por esse motivo que surge essa sessão. Para que possamos tratar de assuntos que exponham pontos interessantes sobre nossa produção musical, mixagem e masterização, de uma forma descontraída, diferente e objetiva.

Espero que curtam!"

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Mateus: Oi Mateus.
Mateus: Oi Mateus.

Mateus: Poxa, toda vez que te vejo tu estás mais magro e elegante...
Mateus: Aaa mas tu também tem malhado, não? Esteira?

Mateus: Notastes? Pois é, tô sim...
Mateus: Rá! Mas dá pra notar de longe e sem óculos!

Mateus: Pois bem, também já faz algum tempo, menos que nossa última auto-entrevista, mas ainda assim algum tempo. Buscando nos arquivos da memória (e do blog), lembrei de pontos bem interessantes para perguntar à cerca da produção deste álbum. Sendo curto e grosso, qual foi o plano?
Mateus: Nem um pouco óbvio e nem um pouco direto. O que ocorria aqui era justamente o contrário do ocorrido no trabalho anterior, onde muito já se encontrava pronto. Aqui o que possuíamos eram fragmentos de boas idéias, em sua maioria, ainda desconexos e crus. Digamos que tínhamos uma cesta de frutos, todos ainda verdes e de vários tipos diferentes. Eu sabia que poderia extrair um bom suco de cada um deles, sabia que com cuidado seria possível misturá-los e fazer parecem todos de uma mesma árvore, mas ainda assim precisavam amadurecer.

Mateus: O maior desafio foi criar uma identidade musical então?
Mateus: Sim. Como eu disse, sob um olhar atento, com uma boa lapidada e uma boa dose de atenção, achar a essência e criar a energia necessária à cada um dos temas não era o problema. Eles funcionariam individualmente, o problema seria costurar todos à uma coisa só.

Mateus: E quais os procedimentos que foram tomados para buscar o resultado esperado?
Mateus: Em primeiro lugar, uma extensa pré-produção. Foram meses. Não foi tanto difícil, uma vez que, como os temas ainda estavam engatinhando, foi fácil educá-los e ensiná-los à caminhar na direção que queríamos. Logo, o tempo e energia investido nessa etapa se deu mesmo em função de fazê-los caminhar e matura-los à ponto de que possuíssem elementos e energia o suficiente para que pudéssemos dizer, "agora tá legal", e, mais importante, que estivessem todos atrelados à um estilo e uma sonoridade que caracteriza-se a banda. Acredito termos obtido sucesso.

Mateus: Para a etapa da mixagem, lembras de algo interessante?
Mateus: Novamente fiz a mixagem sozinho e mais tarde chamei a banda para ajudar-me a lapidar os temas um à um. Gosto desse sistema pois evito conflito de idéias, e embora em muitos casos duas cabeças pensem melhor que uma, muitas vezes a objetividade é o melhor (e único) caminho. Lembro ter tomado muito tempo e muito cuidado durante as edições, principalmente devido à densidade delas. Fora isso, me foquei em meu planejamento e em extrair o que cada tema pedia, tomando cuidado para encaixar o quebra-cabeças entre os mesmos. Mais uma vez, captamos tudo já "no caminho certo", então as mixagens foram bastante fluídas, buscando principalmente enaltecer os temas. Acho que o principal ponto porém, foi a confiança que os guris depositaram em mim, o que fez com que eu pudesse trabalhar todos os aspectos que eu tinha em mente para os temas sem "adaptações". Acredito isso ter sido fundamental no resultado final, eles buscando o meu melhor e eu buscando o melhor deles.

Mateus: E quanto à masterização?
Mateus: Foi onde eu realmente aprendi o que significa o primeiro mandamento do engenheiro de masterização: Ser objetivo. Vou explicar resumidamente. Nos primeiros dias, logo após terminar cada mixagem, eu fazia uma rápida masterização. Nesta masterização, eu tinha somente uma coisa em mente, ouvir a minha mixagem de forma mais plana possível em casa, no carro, no computador, etc. Terminadas todas as mixagens, comecei a etapa de masterização propriamente dita e, daí sim, "valendo Brahma" como diria o amigo. Porém, nesse caso, a mentalidade já era diferente, não tinha aquela objetividade inicial, pois em minha mente já trafegavam idéias como, "vou arrumar esse cantinho do espectro", "equalizar aquela frequência ali pra ganhar mais uns dbzinhos nessa região", "vou puxar mais para esse lado e buscar tal característica", "vou deixar mais parecido com...", e assim vai... Acreditava ter feito uma baita masterização e fui faceiro escutar, somente para me dar conta que a master anterior estava MUITO superiora! Aquilo me assustou e acabei por enviar as versões para alguns engenheiros amigos sem falar nada. Foram, sem saber qual era qual, unânimes. A primeira versão era a melhor sem dúvida. Moral da história: Todas as decisões musicais já haviam sido tomadas pelo artista e produtor durante as etapas de captação e mixagem, logo, a masterização tinha somente UM objetivo, entregar aquela mixagem de forma mais coerente e transparente aos sistemas existentes, claro, com a maior pressão sonora possível. Em uma palavra? Objetividade.

Mateus: Mais uma vez obrigado Mateus pela entrevista interessantíssima!
Mateus: De nada. É sempre um prazer responder perguntas tão interessantes Mateus.

1 comentários:

Nilton Tiellet Borges disse...

Genial! Ótimo!
Grande abraço!